A Disfunção temporomandibular (DTM) é o nome dado ao conjunto de sinais e sintomas que afeta a musculatura da mastigação e/ou articulação temporomandibular (ATM) – aquela situada entre a mandíbula e o crânio, na região logo em frente à orelha. No Brasil, estima-se que cerca de 8 milhões de pessoas sofram de DTM.
Existem três tipos principais de DTM: a muscular, que ocorre quando a musculatura do sistema mastigatório sofre um excesso de tensão; a articular, que pode se dar tanto por uma sobrecarga da articulação quanto por traumas ou até doenças degenerativas, como osteoartrite e artrite reumatoide; e a mista, aquela que une os distúrbios musculares e articulares.
Quando as disfunções são de origem muscular, a conduta é não-cirúrgica e o tratamento geralmente envolve relaxantes musculares, anti-inflamatórios, repouso e alimentação leve e macia.
As disfunções da articulação temporomandibular (ATM) de origem intra-articular (aquelas que envolvem exclusivamente a articulação ou associadas com desordens musculares) são comumente encontrados em pacientes em qualquer faixa etária, com uma alta prevalência em mulheres entre os 20 e 40 anos e são, caracterizados pelo deslocamento anterior do disco (menisco) articular, ocasionando dor. A dor geralmente está associada com outros sinais e sintomas e estes incluem limitações, desvios nos movimentos mandibulares, sons (estalidos) durante a função mandibular e mastigação, alterações psicológicas e sociais, o que causa um impacto negativo na qualidade de vida dos indivíduos com disfunções na ATM.
No entanto, muitos pacientes são satisfatoriamente tratados por meios conservadores como fisioterapia, medicação, laserterapia e outros métodos não-cirúrgicos. O padrão de tratamento aceito internacionalmente para os desarranjos da ATM consiste em um protocolo através de manejo conservador (não-cirúrgico) seguido de artroscopia quando a dor é persistente, quando há restrição de movimentos ou travamento devido às causas intra-articulares. Aqueles que não respondam aos meios conservadores, pode-se indicar uma nova avaliação para uma conduta cirúrgica, de maneira que a cirurgia aberta (discopexia) dos desarranjos da ATM tem sido um tratamento estabelecido para pacientes em que houve falha na resposta ao tratamento conservador. Estudos da incidência do tratamento cirúrgico para desarranjos da ATM variam de 1% a 25%, mas a maioria dos autores relata uma média de apenas 10% dos pacientes que necessitam submeter-se à cirurgia.
O deslocamento anterior do disco não tem uma causa definitiva, porém acredita-se que vários fatores podem predispor ou causar o deslocamento e a disfunção do disco da ATM incluindo: trauma, microtraumas, sobrecarga da articulação, patologias locais ou sistêmicas, infecções bacterianas ou virais e, até mesmo pela presença de receptores de estrogênio na ATM que podem servir como gatilhos aumentando a sensibilidade aos estímulos de dor. Discos articulares podem se tornar deslocados devido à ruptura, herniação, estiramento ou degeneração dos ligamentos que normalmente suportam o disco em posição. Desta maneira, na prática, a decisão de operar e a escolha do método pode ser determinada pela técnica individual do cirurgião, pela experiência e pela atitude em relação ao manejo cirúrgico das desordens temporomandibulares.
O reposicionamento do disco articular é considerado satisfatório se houver melhora nos movimentos mandibulares, significante redução da dor articular e uma melhora considerável em sua qualidade de vida. É documentado que se a cirurgia para o reposicionamento do disco articular é realizada em quatro anos do aparecimento dos sintomas, a taxa de sucesso pode alcançar 95%, mas pode cair gradativamente após 4 anos do início dos sintomas. Estes resultados suportam o conceito de que a identificação precoce do deslocamento do disco e o reposicionamento cirúrgico podem impedir a progressão da osteoartrite e a degeneração do disco, desde que não estejam presentes outros fatores predisponentes, tais como doenças autoimunes ou agentes infecciosos afetando a ATM.
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DR. ROBERTO ZANIN
BUCOMAXILOFACIAL – CRO-RS 19386