Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), sinalizam que o câncer do colo de útero, também chamado de doença cervical, é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina (atrás apenas de patologia da mama e da região colorretal), e a quarta causa de morte por câncer em mulheres no Brasil. Ainda segundo o órgão, as estimativas de incidência para 2021, é de 16.590 novos casos no país.
Esta sexta-feira (26) é marcada pelo Dia Mundial da Prevenção do câncer de colo do útero. Para esclarecer melhor o assunto, a médica ginecologista e obstetra de Erechim, Monique Fardo, apresenta algumas orientações e esclarecimentos, em entrevista especial ao Bom Dia.
Como prevenir?
A especialista reforça que, conscientizar as mulheres sobre a importância de fazer o exame, mais conhecido como papanicolau, é o objetivo da campanha ‘Março Lilás’, mês alusivo ao combate a esse tipo de doença. “Com o diagnóstico precoce do câncer do colo útero, mais chances de cura da doença”, alerta.
De acordo com o Ministério da Saúde, a idade preconizada para realização do exame é de 25 a 64 anos, sendo recomendado uma vez ao ano. Porém, Monique orienta que o exame preventivo deve fazer parte da rotina de todas as mulheres a partir do início da vida sexual.
Do mesmo modo, a ginecologista de Erechim ressalta que a vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), antes do início da vida sexual, é uma opção indicada para a prevenção. “É uma medida para diminuir riscos, contudo, mesmo as pacientes vacinadas não estão liberadas da rotina anual de fazer o exame. Por meio do Papanicolau é possível detectar alterações celulares antes do surgimento do câncer. Quanto mais precoce a detecção de atipias no colo uterino, menos invasivo poderá ser o tratamento”, explica.
A vacina tetravalente contra o HPV foi implementada em 2014 no calendário vacinal, pelo Ministério da Saúde, inicialmente para meninas de nove a 13 anos e, desde 2017, está disponível para meninos entre 11 e 14 anos.
Sintomas
A médica salienta que, as atípias do colo uterino, antes de se tornarem câncer, podem não apresentar sintomas ou, ainda, poderá ser um quadro assintomático, se tornando sintomático em casos mais invasivos.
Atenção mulheres! Redobrem a atenção com os seguintes sinais: sangramento no ato sexual; dor pélvica sem uma causa determinada; sangramento irregular ou dor no ato sexual.
Detecção precoce, faz a diferença
Em relação às chances de recidivas e complicações, a especialista observa que depende do grau do comprometimento do câncer. “Uma doença mais invasiva terá mais chances de complicações em outros órgãos, por exemplo. Por isso, reforço, é essencial a detecção precoce. Uma vez identificado de forma antecipada, essas chances diminuem significativamente”, pondera.
Saúde preventiva
Conforme a médica, a pandemia impactou em uma pequena redução dos cuidados que se referem à saúde preventiva, principalmente nesta fase de bandeira preta em todo o Estado. “Essa área da medicina é importante para melhorar e manter a qualidade de vida, aumentar a disposição e evitar tratamentos mais agressivos no futuro. Ao investir na prevenção, é possível diminuir os gastos com medicamentos, evitar efeitos colaterais de medicações mais fortes, reduzir as chances de doenças decorrentes de complicações e muitos outros benefícios”, enfatiza.
No entanto, Monique reitera que, para que a prevenção forneça resultados positivos para os pacientes, o diagnóstico precoce é um dos elementos mais importantes. “Portanto, concordo que devemos aguardar a bandeira melhorar para intensificarmos esse cuidado, principalmente no caso de pacientes de riscos. Contudo, não podemos deixar passar muito esse prazo da prevenção”, orienta.
Matéria retirada do Jornal Bom Dia, 26/03/2021.