Ao longo da história, elas fizeram a diferença e preservaram muitas vidas, principalmente diante de doenças graves. Com a covid-19, espera-se que várias complicações também possam ser evitadas com a vacina. E esse é o principal objetivo nesse momento de pandemia, cercado de dúvidas, incertezas e expectativas.
‘Vacinas tradicionais’
O tradicional calendário nacional de vacinação do Ministério da Saúde contempla não só as crianças, mas também adolescentes, adultos, idosos e gestantes. O órgão disponibiliza vacinas
para doenças como meningite, pneumonia, coqueluche, gripe, sarampo e tétano. A imunização começa nos recém-nascidos, passa pela adolescência e se estende para a vida adulta.
Na infância, é importante que crianças de até dez anos recebam o primeiro grupo de vacinas e as doses de reforço para evitar doenças, uma vez que estão com sistema imunológico em desenvolvimento.
Vacina e os grupos prioritários
Enquanto muito se abordou (e permanece como destaque) questões sobre a importância de manter atua- lizada a carteirinha de vacinação, nesse período, em que o foco central são as discussões em torno da imunização contra a COVID-19, o alerta está direcionado ao outro extremo, no que se refere à faixa etária: os idosos. São eles, junto aos profissionais de saúde e aos indígenas, as prioridades, nesse primeiro momento da campanha nacional.
O médico pediatra de Erechim, Fernando Ferri, reforça que, as vacinas sempre tiveram um impacto expressivo no que se refere à morbimortalidade das pessoas. “Bus-cou-se uma forma controla- da, diante de situações muito graves, por meio de algo tão benéfico que é a vacinação. Contudo, observamos que doenças que estavam erradicadas do nosso dia a dia, acabaram retornando, em razão da diminuição na procura por vacinas. Como exemplo está o sarampo, a difteria, poliomielite”, pondera.
Por isso é reforçada, constantemente, uma série de benefícios de manter a vacinação em dia, especialmente nesse período de pandemia.
Em relação às vacinas contra o novo coronavírus, o especialista reitera que elas foram aprovadas de forma emergencial pois estarmos diante de um cenário pandêmico e de reflexos muito preocupantes, seja por altos índices de infectados, internações e óbitos registrados nesses 10 meses. Desse modo, o processo se tornou mais rápido. “Se fosse em outra situação, todo esse trabalho seria realizado de outra maneira. Contudo, é possível identificar que, nessa fase final de avaliações, a eficácia dela, comparada a outras vacinas que já temos em uso para diferentes problemas, está um pouco abaixo, mas trata-se de um medica- mento, que pela sua contribuição, é feito de vírus inativados, portanto, as chances de uma pessoa desenvolver uma doença ou complicação, são muito baixas”, cita.
Em relação aos efeitos colaterais das doses contra a COVID-19, os relatos observados, até o momento, são praticamente locais, como sintomas leves de febre, dor no braço, o que também pode ser identificado em outros medicamentos. “Essa tentativa é válida e muito importante, essencialmente nessa fase caótica que vivenciamos no campo da saúde”, afirma Dr. Fernando.
Segundo ele, o esperado é que todas as pessoas fossem vacinadas ao mesmo tempo, porém, há critérios especiais e a estimativa é que, em breve, mais públicos sejam contemplados na tentativa de frear a disseminação do vírus. Isso, com certeza irá ocorrer na medida que novas doses serão produzidas e liberadas. “No momento certo, assim que as pessoas sejam informadas sobre a hora de se vacinar, que isso ocorra de forma tranquila. Esse é apenas o ponto de partida e precisamos valo- rizar, tendo em mente que é fundamental aderir à vacinação”, salienta o especialista.
No entanto, mesmo após receber a dose, vale ressaltar que todos os protocolos de prevenção ao novo coronavírus, como uso de máscara, álcool gel 70% e distanciamento social, devem ser mantidos.
Público infantil
No que se refere às crianças, o médico de Erechim cita que esse foi o público que menos registrou situações graves na pandemia, porém há algumas situações que precisam ser observadas. “Elas também estão suscetíveis a se conta- minar e, por consequência, podem transmitir à outras pessoas. Isso merece um cuidado extra por parte dos pais e responsáveis, levando em conta, ainda, que na maio- ria das vezes, as crianças não apresentam sintomas prevalentes, como acontece na fase adulta. Ao surgir lesões na pele, diarreia, entre outros sintomas, é necessário uma atenção redobrada”, orienta.
No que se refere à vacinação contra a COVID-19, as crianças e gestantes, por exemplo, não foram integradas aos estudos, nesse primeiro momento.
Matéria retirada do Jornal Bom Dia, 23, 24 e 25 de janeiro de 2021.