Responda rápido: Quais as principais diferenças entre o homem e a mulher? Muitas respostas passaram pela sua cabeça, não é? Este é o questionamento do médico urologista, Dr. Henrique Nonemacher (CRM 34685) do Hospital Santa Mônica, em Erechim, RS, ao abordar sobre o tema da saúde do homem.
“Os cromossomos, o funcionamento cerebral, a voz, a respiração, a estrutura óssea, a proporção de gordura, os hormônios, o comportamento, a quantidade de suor, e a preocupação com a saúde. As diferenças são inúmeras, porém a última é a mais preocupante.
Existe além da barreira emocional, aspectos culturais em nossa sociedade de que o homem deve ser forte, invencível, dominador e provedor o que os impede ainda mais de serem proativos em relação a saúde. O fato é que, em virtude disso os homens vivem menos que as mulheres (72 anos x 79 anos). A crença de que evitar o médico ou não se alimentar adequadamente ou não realizar uma atividade física regular, seja qual for porque não tem nenhum sintoma é uma atitude displicente e pode trazer consequências graves para a saúde. As mulheres culturalmente têm esse cuidado, mas os homens só vão ao médico quando não se sentem bem. Ter a consciência de que é preciso também fazer um check-up preventivo é fundamental.
É comum observar em muitos lares brasileiros uma cultura tipicamente masculina onde os meninos são ensinados a acreditar que homem não chora, é forte, não adoece e não precisa cuidar da aparência que isso é coisa de mulher. É a chamada síndrome do super-homem, onde a procura por ajuda para melhorar a forma física e saúde é interpretada como sinal de fraqueza ou fragilidade.
Estamos entrando em novembro e a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) realiza a campanha Novembro Azul chamando a atenção para o diagnóstico precoce do câncer de próstata e também para a saúde do homem de forma global, numa tentativa cada vez mais eficiente de chamar a atenção dos homens.
Segundo dados recentes em nosso país, a cada dia, 42 homens morrem em decorrência do câncer de próstata e aproximadamente 3 milhões vivem neste momento com a doença, sendo essa, a segunda maior causa de morte por câncer em homens, perdendo apenas para o câncer de pulmão. São estimados para este ano 68.000 novos casos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).
O mês de novembro é uma oportunidade de conversar com os homens sobre a importância de cuidar da saúde. Nós, profissionais de saúde queremos alertar não só para a próstata, como também incentivar o homem a olhar mais para a sua saúde, fazer exames que podem prevenir uma série de outras doenças como o câncer de testículo. O câncer de testículo é raro, representa apenas 5% dos casos de câncer em homens, e atinge, em sua maioria homens de 20 a 35 anos de idade. Apesar disso, é um tipo de câncer que tem baixo índice de mortalidade e isso tem relação direta com a facilidade de detecção precoce da doença. O câncer de testículo pode ser identificado durante o autoexame, em casa, e quando ele é descoberto no início as chances de cura superam 90%. O ideal é realizar o autoexame mensalmente. Geralmente o sinal mais comum do câncer de testículo é o aparecimento de um nódulo duro, geralmente indolor, mas deve-se ficar atento a outras alterações, como aumento ou diminuição no tamanho dos testículos, nódulos ou endurecimentos, dor imprecisa na parte baixa do abdômen, sangue na urina e aumento ou sensibilidade dos mamilos.
A SBU recomenda que os homens a partir da puberdade devem procurar um profissional especializado, para uma avaliação individualizada. O início da avaliação do risco de câncer da próstata começa aos 50 anos e, naqueles da raça negra, obesos mórbidos ou com parentes de primeiro grau com câncer de próstata devem começar aos 45 anos. Os exames deverão ser realizados após uma análise dos fatores de risco pelo urologista e ampla discussão de riscos e potenciais benefícios, em decisão compartilhada com o paciente.
A próstata é uma glândula que faz parte do sistema reprodutor masculino responsável por produzir uma secreção fluida para nutrição e transporte dos espermatozoides. Situa-se logo abaixo da bexiga e à frente do reto, sendo atravessada pela uretra, canal que se estende desde a bexiga até a extremidade do pênis e por onde a urina é eliminada.) O diagnóstico do câncer de próstata é feito exclusivamente através da biópsia da próstata. Para indicar corretamente a biópsia, o urologista precisa levar em consideração vários fatores, dentre eles o toque retal. A finalidade desse exame é detectar qualquer alteração na próstata (endurecimento, nódulos) que possa estar relacionada com a presença do câncer. O toque é parte fundamental da avaliação prostática, servindo também para auxiliar na decisão da melhor forma de tratamento, caso o câncer esteja presente. O PSA é o marcador detectado nos exames de sangue mais utilizado no auxílio ao diagnóstico de câncer de próstata. Isoladamente, o PSA elevado não significa necessariamente que o indivíduo tem câncer de próstata, por isso a necessidade do toque retal. No caso de suspeita e a biópsia confirmar o diagnóstico, exames de estadiamento da extensão do câncer no organismo devem ser realizados como cintilografia óssea, tomografia computadorizada ou ressonância nuclear magnética. Após, o médico discutirá com o paciente as opções de tratamento. Dependendo do estágio da doença, as principais opções de tratamento podem incluir conduta expectante, cirurgia, radioterapia, hormonioterapia, quimioterapia ou tratamento da disseminação da doença para os ossos.
É importante esclarecer que, além do câncer, a próstata pode apresentar outros problemas como seu crescimento benigno, que atinge cerca de 50% dos homens acima de 50 anos, gerando dificuldade de micção como jato fraco, esforço para urinar, sensação de esvaziamento incompleto, necessidade de acordar várias vezes a noite para urinar, entre outras.
Busque a prevenção, não espere um motivador para buscar pela sua qualidade de vida, cuidar da saúde também é coisa de homem”.
Dr. Henrique Nonemacher – CRM 34685 – Residência em cirurgia geral e urologia pelo Hospital Conceição – POA/RS; Especialização e Fellowship em Uro-oncologia pela USP/ICESP – SAO PAULO/SP.
Matéria Retirada do Jornal Bom Dia, 03/11/2020.