Dr. Henrique Nonemacher
Médico Urologista – CREMERS 34685
O Dia Mundial sem Tabaco é uma data celebrada anualmente no dia 31 de maio. Criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), a campanha tem como objetivo chamar a atenção para a epidemia e os malefícios do tabagismo. A campanha visa também informar as pessoas sobre o que podem fazer para ter uma vida saudável protegendo crianças, e jovens das consequências devastadoras do hábito.
O tabagismo é de longe o mais importante fator causador previnível de câncer em todo o planeta, responsável por mais de 7 milhões de mortes por ano em todo o mundo. Sabe-se que o tabaco é responsável por ser o principal causador de câncer da cavidade oral, faringe, pulmão, esófago, estomago, cólon, reto, fígado, pâncreas, laringe, colo uterino, rim, bexiga, ureter e medula óssea além de inúmeras outras patologias benignas.
Enquanto a associação entre o tabagismo e as patologias respiratórias já é bem estabelecida e entendida, estudos recentes vem mostrando que o cigarro é o fator causador do câncer de bexiga em 75% dos novos casos diagnosticados além de ser considerado o vilão em 20% de todos os diagnósticos de câncer de rim. Além disso, dados recentes mostram que o tabagismo está associado a um aumento na mortalidade câncer-específica dos pacientes portadores de câncer de próstata. Quando falamos de tabagismo, o câncer de bexiga pode não ser tão divulgado quanto o câncer de pulmão, mas nem por isso deixa de acontecer ou de ser importante. Em 85% dos casos, o tumor é assintomático e, quando apresenta sinais, a presença de sangue na urina (hematúria) é o mais comum. Ardência na hora de urinar e aumento da frequência ao urinar também podem ser sintomas relacionados. Estudos definitivos ligam esse tipo de câncer ao hábito de fumar.
O câncer na bexiga é um dos dez tipos de câncer mais frequentes na população, segundo dados da Sociedade Brasileira de Cancerologia. Muitas substâncias tóxicas são absorvidas pela corrente sanguínea e também eliminadas por ela. Como a urina é armazenada na bexiga, essas substâncias podem causar alterações crônicas no órgão, inclusive o câncer. Esse tipo de câncer é mais frequente em homens que em mulheres. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA), das 3.642 pessoas que morreram pela doença em 2013 em todo o Brasil, 2.542 eram homens. Geralmente são homens que fumam desde a infância e a doença aparece por volta dos 60, 70 anos de idade. Mesmo pessoas que conseguiram interromper o tabagismo ainda carregam lesões no corpo que serão carregadas pelo resto da vida.
Estudos demonstraram uma associação direta entre a quantidade de cigarros consumidos e progressão da doença em pacientes com câncer de bexiga. O tabagismo tem associação direta com progressão de câncer superficial de bexiga para doença invasiva. Esta informação pode ajudar a todos profissionais da área da saúde a convencerem seus pacientes com câncer bexiga de que interromper o tabagismo pode melhorar o prognóstico.
O diagnóstico do câncer na bexiga começa com uma cistoscopia. O exame é feito pela uretra e avalia se há lesões sugestivas de tumor. Se a doença for superficial, o tratamento consiste na retirada do tumor através de uma raspagem (Ressecção transuretral – RTU). Nos casos de doença invasiva é necessário retirar a bexiga e fazer uma derivação urinária para o paciente precedida e/ou seguida por sessões de quimioterapia. Em casos mais raros pode-se fazer uma bexiga artificial com o uso do intestino, mas, para isso, é preciso que o paciente esteja em bom estado geral e apresente determinadas características específicas para ser submetido a tal procedimento.
Com mais de cinco mil substâncias presentes em sua composição, o cigarro chega a ser responsável por uma gama de mais de 50 doenças. Segundo a OMS, 47% de toda a população mundial masculina e 12% da feminina fumam. A OMS ainda alerta que se o consumo de produtos como cigarro, charuto e cachimbo não diminuir o número de mortes causadas pelo tabagismo pode chegar a 10 milhões por ano.
É preciso estar atento a sinais como sangue na urina (hematúria) e mudanças nos hábitos urinários – urinar com frequência maior que a habitual, sensação de dor ou queimação ao urinar e urgência para ir ao banheiro, mesmo quando a bexiga não esteja cheia. E o mais importante: caso desconfie de alguma dessas anormalidades, não hesite em consultar um urologista, pois o diagnóstico precoce aumenta as chances de cura.
Repensar seus hábitos e aderir um estilo de vida mais saudável pode ser o primeiro passo para uma grande conquista. Além disso, abandonar um mau hábito pode ter suas vantagens:
O que você ganha se ficar sem fumar por…
• 20 minutos: a pressão sanguínea e a pulsação voltam ao normal
• 2 horas: não tem mais nicotina circulando no sangue
• 8 horas: o nível de oxigênio no sangue se normaliza
• 2 dias: o paladar ganha sensibilidade novamente
• 3 semanas: a respiração fica mais fácil e a circulação sanguínea melhora
• 5 a 10 anos: o risco de sofrer infarto passa a ser igual ao de quem nunca fumou
Matéria Retirada do Jornal Bom Dia, 30/05/2018.